Por muito tempo, as políticas públicas do Estado se voltaram mais para a capital e
região metropolitana, havendo pouca valorização do interior e regiões menos desenvolvidas.
Entretanto, nos últimos anos, os municípios distantes das capitais vêm se tornando cada dia
mais visíveis, através de planejamentos governamentais que são fundamentados pelas
necessidades de autonomias e identidade das regiões, principalmente as de características
prioritariamente rurais.
Voltar a morar no interior e conquistar a tão sonhada qualidade de vida, tem sido a
busca de muitas pessoas que deixaram as suas cidades pelo êxodo rural ou pela falta de
oportunidades nas cidades interioranas. Tal procura deve-se ao aumento da população
humana, e a grande concentração dessa população em grandes centros urbanos, à forma e ao
ritmo da ocupação desses espaços e ao modo de vida com base na produção e consumo cada
vez mais rápidos de bens, a violência, a desigualdade social, o desemprego, causando um caos
urbano e o desinteresse em viver nesses locais. Mas, como tudo tem os dois lados, essa
decisão é pautada por algumas diretrizes e uma delas é a oportunidade de gerar a sua renda, o
seu sustento, o seu trabalho. Já no caso dos habitantes dessas pequenas cidades, a cultura, a
criação e muitas às vezes a falta de opção ou criatividade, faz com que a busca por ganhar o
pão seja praticamente baseada na atividade local da sua região.
É salutar reforçar que o desafio dos últimos tempos é desenvolver as cidades a partir
de ações criativas e sustentáveis, onde envolva, principalmente, a relação entre gestão pública
e privada. Algumas iniciativas já em curso empenham-se em construir alternativas
socioeconômicas sustentáveis, assumindo um compromisso com um modelo de
desenvolvimento que consiga integrar a sustentabilidade econômica, social, ambiental e
cultural, contribuindo assim para o aprimoramento do próprio ser humano, ganhando na
riqueza dos relacionamentos e no convívio social comunitário.
Toda iniciativa econômica ou cultural deve partir do princípio que os Estados, Cidades
e Municípios, são espaços geográficos ocupados por uma sociedade pensante e criativa em
que devem predominar decisões pautadas na democracia e no diálogo.